luta por moradia

ocupação Plínio Ramos

esta ocupação foi habitada por 79 famílias durante 2 anos e oito meses. Os moradores se organizavam por meio do MMRC (Movimento de Moradia Região Centro): as pessoas moravam em quartos/salas criados pelos próprios moradores com divisórias de compensado e restos de madeira; os banheiros, a lavanderia e cozinha eram comunitários; existia um atelier de costura coletivo; uma sala administrativa do movimento; uma sala de reuniões com cursos de reforço escolar para crianças, alfabetização de adultos, reuniões da comunidade e aulas de break. A “reintegração de posse” do edifício foi realizada em agosto de 2005, retirando os moradores violentamente pela tropa de Choque da Polícia Militar. Os moradores resistiram ao despejo formando um cordão humano na frente do prédio, dentro deles muita das famílias se recusaram a sair, lacrando a porta por dentro do prédio. A resposta da policia foi extremamente violenta: spray de pimenta; bombas de efeito moral e gás lacrimogênio; balas de borracha nas pernas e rostos dos moradores; detenção. As famílias não tiveram direito à negociação ou contrapartida do Estado, e como protesto montaram acampamento na própria rua, em frente ao edifício, que permanece vazio até hoje, com um muro de concreto construído sobre a porta.
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[video] com quantos quilos de medo se faz uma tradição?
[relato] absurdo: reintegração de posse plínio ramos
[intervenção] homenagem a fontana em tempos de guerra


ocupação Paula Souza

nesta ocupação viviam 70 famílias desde novembro de 2002 sem coordenação por meio de movimento social. Os moradores se organizavam de maneira auto-gestionária coletiva. No dia 6 de outubro, foi executada a reintegração de posse do prédio, e como as famílias não puderam negociar com o governo, acamparam na própria rua Paula Souza, onde também se encontravam remanescentes da ocupação vizinha, o edifício Plínio Ramos.
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[entrevista] ocupação paula souza

ocupação Campos Salles

essa antiga escola que depois de pegar fogo 8 anos atrás, foi abandonada e 60 famílias sem-teto fizeram dela sua moradia em 2004. A construção em estilo eclético é de 1911 e na sua suntuosidade abandonada ainda restam alguns metros quadrados do piso de mármore original, trazido da Itália. No despejo que aconteceu em julho de 2005, as famílias se mantiveram pacificamente cantando na frente do prédio músicas com a temática de luta e transformação social, enquanto os policiais arrombavam o portão e carregavam seus pertences pra fora.

Irá chegar, um novo dia, um novo céu,
uma nova terra, um novo mar
e neste dia os oprimidos,
numa só voz a liberdade irão cantar.

Na nova terra o negro não vai ter corrente,
o nosso índio vai ser visto como gente.
Na nova terra, o nego, o índio e o mulato,
o branco e todos vão comer do mesmo prato.

Na nova terra a mulher terá direitos,
não sofrerá humilhações e preconceito
e seu trabalho todos vão valorizar
as decisões ela irá participar.

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ocupação Prestes Maia

a ocupação, organizada pelo MSTC (Movimento do Sem-Teto do Centro), era símbolo de resistência e organização: foi considerada a maior ocupação vertical da América Latina, pois abrigava cerca de 470 famílias, constituindo praticamente uma cidade, com quase 2000 moradores. Eram 23 andares inteiramente ocupados mesmo sem maquinário de elevador funcionando. O imóvel, ocupado em 2002, também representa simbolicamente as absurdas contradições que envolvem o debate: ficou abandonado por 15 anos, sendo que o proprietário deve atualmente cerca de R$ cinco milhões de IPTU. Depois da ocupação os moradores retiraram cerca de 200 caminhões de lixo e entulho do prédio, e se organizaram coletivamente na manutenção da limpeza e segurança; havia uma biblioteca comunitária com livros encontrados no lixo pelos catadores que moram no prédio, programas de reciclagem, de educação, intervenções e oficinas culturais. Os banheiros também eram de uso coletivo. A ocupação sofreu diversas ameaças de despejo. Sua saída do prédio foi pacífica e se deu devido a uma negociação dos moradores e o governo aliada ao programa municipal de “bolsa-aluguel”.
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[manifesto] pelo direito à cidade: manifesto contra o despejo da ocupação prestes maia
[video] prestes

prédio do INSS

Os movimentos de moradia reivindicam esse prédio localizado na avenida nove de Julho de propriedade do INSS, há muitos anos. Ele foi ocupado varias vezes desde 1997. As ultimas famílias hbaitaram o espaço até 2004, quando sairam com um acordo no qual o prédio seria reformado e transformado em moradia, mas as obras para o projeto são sempre embargadas. Á meia noite do dia 1 de maio de 2004 o Grupo Risco acompanhou uma ocupação-denúncia no prédio, em vista de pressionar o governo para a realização do projeto. Ficou apenas a denúncia, pois a polícia chegou logo, de arma em punho, gás lacrimogênio e spray de pimenta.

:[ 01 de Maio de 2005 ]::: | Ocupação do edifício do INSS na cidade de São Paulo |

_trecho de entrevista concedida por liderança da FLM para a imprensa durante a ocupação:

- [FLM]: ... um dossiê com 38 estudos de projeto – estudos viabilizados. Todos são viáveis, mas não tem vontade política de fazer.

- [R]: Qual o caráter dessa ocupação? É permanente, provisória?

- [FLM]: Nós temos, amanhã, uma reunião em Brasília. Depende da resposta que a gente tiver lá. Nós colocamos para os nossos companheiros, que era ocupar para buscar a dignidade. Também não adianta morar num imóvel deteriorado desse jeito. Nós queremos dignidade. Então, dependendo da resposta que a gente tiver, a gente vai levantar o acampamento. Caso contrário...

- [R]: Por que invadir um imóvel deteriorado, já que não é o que você espera?

- [FLM]: Nós não invadimos, nós ocupamos. Nós ocupamos esse imóvel deteriorado porque é um projeto nosso e é para reivindicar agilidade. Para que as famílias, que moraram ai ano passado, elas possam voltar com dignidade.

- [R]: Qual que é o histórico desse prédio? Ele já foi ocupado antes? Conta para a gente.

- [FLM]: Ele foi ocupado em 97. As famílias moraram ai até o ano passado. No ano passado, as famílias, que estavam ai, elas precisaram sair. Foram atendidas pelo programa do município – Programa Bolsa Aluguel. Só que está um problema também o Programa Bolsa Aluguel. O município não está pagando o aluguel. E as famílias que moravam ai estão sendo despejadas. Ai, estamos fazendo esta ação para que as famílias do projeto encaminhem este projeto, reforme o imóvel e construa os outros para que as famílias pode voltar com dignidade. Sem dizer também... Vou aproveitar a oportunidade de estar fazendo uma denúncia: Nós temos as famílas, no Prestes Maia [ Edifício ocupado pelo MSTC na Av. Prestes Maia ], nós temos 450 famílias. Onde, um proprietário deve 5 milhões de IPTU. E as famílias vão ser reintegradas em Junho.
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ocupação Frei Tito

No dia 28 de março de 2008, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) ocuparam um terreno vazio com 88 mil metros quadrados na região Sul do município de Campinas. Segundo dado veiculado na imprensa local, os donos do imóvel negociam o pagamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU) há dez anos, acumulando uma dívida com o município de aproximadamente R$ 2 milhões. Já no terceiro dia de ocupação, haviam no local aproximadamente três mil pessoas e mil barracos de lona, madeira e bambu. Mesmo assim aconteceu a reintegração de posse, somente duas semanas após o inicio do acampamento. O Grupo Risco acompanhou todo o processo desde a escolha do terreno ao despejo das famílias.
[video] Acampamento Frei Tito
[artigo] a ocupação como luta pelo direito à cidade